sábado, 24 de novembro de 2007

o grito surrealartaudiano por liberdade

bastantes elucidações!o surrealismo,muito mais do que "a galera louca que pintava uns quadros malucos"visava à emancipação total do homem,contra tudo que mutilasse a razão e procurando recuperar tudo o que a "razão nos fez perder".o mundo dos sonhos e do real seria um só,era preciso sair dos moldes maquinais do Ocidente.
antonin artaud,que realizou a experiência teatral mai profunda-mas fora do grupo surrealista de fato-,passou por vários manicômios,viciado em ópio,foi um dos principais teatrólogos-se é que e pode dizer assim.concordo com andré bretton-o principal surrealista-que o internamentos são arbitrários e,mais ainda, (agora também fazendo uma analogia a foucault)que não existe a loucura em si,uma vez que está dependendo do julgamento,da cultura,da tradição de determinada sociedade.é o óbvio ululante que pulula nas mentes humanas,diria nelsão.
artaud sofreu e sua obra tem intrinsicamente a ver com a sua vida.claro que todos falam que não dá para separar a obra de uma pessoa da vida,mas para artaud era o limite;para se ter uma idéia ele considerava o teatro como sendo duplo da vida e vice-versa.
sofrendo,quis que a platéia também sofresse-e assim elaborou o teatro da crueldade.esta crueldade,muito mais do que ser física,é ontológica:o que as coisas nos fazem,toca a miséria humana.
queria que o público gritasse.o grito que temos hoje não é o verdadeiro;este se perdeu.é muito mais forte,é muito mais alto:é ensurdecedor.não conseguiu realizar o seu teatro e portanto quis realizar o teatro dentro de si:"só eu representarei artaud",dizia.o tênue limite da razão e da loucura.
fiquei pensando que o surrealismo e a artaud ainda hoje são atuais...porque as estruturas mentais não mudaram!ainda somos escravos da Ordem,mas a diferença é que parece que somos voluntários.está tudo muito apático,muito entorpecido...mas qualquer microacontecimento parece ser o início de uma reação em cadeia.sim,somos desesperados dormentes.
artaud verdadeiramente desesperou e os surrealistas queriam a liberdade.
quero descobrir o limite,quero o grito.o grito.

3 comentários:

roger disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo Sérvulo disse...

Nossa!

Perfeita a sua análise. Você tocou num ponto que eu sempre achei fundamental e frustrante no ser humano.

A alta capacidade de adaptação.

Sabe, eu fico chocado quando paro pra pensar, sobre como nós simplesmente ignoramos tudo que acontece a nossa volta. Temos guerras (Não precisa nem ir muito longe, só ver rio de janeiro), uma p*** violência, temos corrupção, problemas ambientais. E não só problemas, tbm têm coisas boas, uma vasta tecnologia, que nos possibilita coisas antes inimagináveis...

E olha como nos comportamos... completamente apáticos. Acontece um fenômeno, todo mundo fala na hora, e daqui a duas semanas já era... ninguém se importa mais.

E quando eu não paro pra pensar, eu ajo da mesma maneira. Não é engraçado?

As vezes eu me pergunto se não é algo inato esse negócio de adaptação à maneira como as coisas são desenvolvidas...

Lais Mouriê disse...

Eu quero gritar, pq meu susurro ninguém mais escuta!

Lindo texto!