sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

antigamente existia o mar

-sabe,querido..antigamente existia o mar.não,não...era natural,mesmo.o mar...difícil de descrever porque hoje em dia não tem mais nada análogo a ele...mas o mar era azul,era verde às vezes.era composto de água salgada.as águas eram límpidas e ondulantes...explico:no mar havia ondas,elas que faziam o mar tremer.sim,era um tremor bom;o mar levantava tremendo esporadicamente e as águas levantavam como que em espasmos...os movimentos do mar eram fascinantes e,quando a maré estava alta,lacinantes também. a
maré...a maré era o elemento oculto que,junto com a lua,controlava o mar.
-a lua controlava o mar,vó?
-sim!a lua controlava o mar...não,a lua não tinha vida na época,era a mesma lua de sempre,querido...é estranho,mas não é impossível:a lua ajudava a controlar o mar.dentro do mar havia peixes,estrelas-do-mar e outras criaturas fantásticas...embaixo e ao redor dele havia areia,que era um chão desconfortavelmente confortável;ela era feita pelo vento,a partir de rochas...um dos componentes da areia era o vidro.
-vidro,vovó?a senhora pisava no vidro?
-mas não cortava não,era delicioso!nós,pessoas,ficávamos na areia,embaixo do sol,com roupas que não eram bem roupas..eram pedaços de pano pra que pudéssemos nadar à vontade no mar e pegar o bronze do sol...
-vocês pegavam as pedras preciosas que existiam no sol,vovó?
-não,não era isso,pedrinho..fez a vovó rir!bronze é jeito de falar,meu bem,o sol continuava sendo essencialmente de hélio,mas a gente usava a expressão "pegar um bronze"pra explicitar a cor desejada pelos frequentadores da praia.pessoas ficavam em volta,comendo,bebendo,jogando-tinha um esporte que se chamava frescobol na época e era uma delícia-nadando no mar..
-nadando no mar que tremia,né?
-exato... e o horizonte era magnifíco e às vezes se vislumbrava alguma ilha,que eram pedaços de terra que não estavam submersos no mar.nas ilhas havia areia,também!o conjunto do mar,da areia,das plantas,das pedras e afins era chamado de praia...era onde a maioria das pessoas passavam as férias...
-e quanto que pagava,vó?
-era de graça,meu filho..o melhor de tudo era que tudo isso era de graça...ela era aberta pra quem quisesse entrar...e,no entanto,como era secreta,deus meu!

3 comentários:

Rodrigo Sérvulo disse...

ah, que bonito.

Gostei pra caramba do diálogo.

Ficou bem íntimo. Muito bacana!

=D

Imagino como será o mundo daqui a 50 anos...

Mayara [Nana] L. disse...

Adorei o texto!
Antigamente... é uma palavra tão forte, que não me vejo falando em época nenhuma...
Apesar que certas coisas daqui alguns anos só serão conhecidas em frases que começam com "Antigamente"...

Vi teu blog na comuna 'Prazeres Amélie', e vim conferir!
Aproveitei bastante dos seus textos :]
Se quiser ir conhecer o meu, seja bem-vinda!

Beijos amelísticos :*

Mayara [Nana] L. disse...

Laura,
Poxa, obrigada pelos elogios! :]
Espero mais visitas então! heheh As minhas por aqui são garantidas :]

Essa frase do Breton é o máximo! Eu a adotei assim que li, é tão explicativa...Mostra mesmo a dualidade do ser humano. Quando isso foi dito sobre Frida, foi dito para o mundo, pq eu acredito fielmente que a Frida era um retrato em cores vibrantes de toda essencialidade humana!
É uma frase de impacto :]


Enfim, aproveito a passadinha para avisar que tive que trocar o endereço do blog, ficando assim "http://interferindo.blogspot.com"!
Até mais amelística!
Beijinho :*